Aulas de surf fazem as crianças associarem esporte com diversão


Por: Tatiana Bonumá
Fonte: Crescer

Muito bem, o ano letivo acabou e as crianças entram no tão esperado recesso, desejado por elas e não tão tranquilos para os pais. Há desafios pela frente. Sem a rotina escolar e os cursos paralelos que muitos fazem, é normal que haja uma diminuição das atividades físicas na vida deles. E, é claro, que você não vai querer que seus filhos passem quase três meses mergulhados no sedentarismo. Com um pouquinho de esforço, essa “ameaça” ficará longe das crianças. O verão é a melhor época para os passeios e os exercícios ao ar livre, atrativo que você pode usar a seu favor para tirá-los da frente da televisão ou do computador.

Se você não mora no litoral mas pretende aproveitar alguns dias na praia com eles pesquise sobre aulas de surf para as crianças. Muitos professores se programam para oferecer cursos breves para quem vai passar uma temporada no litoral. Não importa quantos dias porque o objetivo dessa atividade não é exatamente aprender a técnica de pegar altas ondas (o que leva tempo e é ensinado apenas para alunos a partir dos 8 anos). O foco é que a criança perceba o quanto pode ser divertido exercitar-se na praia, aprenda a respeitar o mar e ainda tenha algumas lições sobre educação ecológica.

“Durante a aula conversamos com os alunos sobre a importância de preservar a natureza e também damos noções de segurança no mar, explicando o que é uma correnteza, por exemplo, e por que não devemos ficar perto delas”, conta Ari Lobo, formado em educação física e professor de surf em São Sebastião, litoral de São Paulo, onde é dono da Escola de Surf Água Salgada, com o sócio José Paulo Neves Ferreira.

Os ensinamentos sobre segurança são as principais lições para os pequenos surfistas. Pedro Meal Tobaruela, 5 anos, que faz aulas há um ano, conhece mais sobre o mar do que muitos adultos. O pai dele, Roberto Tobaruela, conta orgulhoso: “O Pedro já sabe, por exemplo, o que é uma vala, onde estão os buracos e percebe para que lado está puxando a correnteza. Também conhece quando a maré está perigosa, e foi ensinado a marcar um ponto fixo na terra para conseguir se localizar do mar. Para respeitar o mar é preciso conhecê-lo e esse é um dos principais ensinamentos das aulas de surf”, conclui Roberto, reforçando o quanto o esporte se preocupa com a segurança.



Isso fica claro também ao observar o equipamento que os professores fornecem aos alunos. “As pranchas para as crianças pequenas são de borracha e com bicos arredondados que evitam ao máximo que elas se machuquem. Além disso, tem o strep, uma corda que prende o tornozelo do aluno ao equipamento, deixando-o sempre com esse apoio para boiar”, explica Paulo Dolabella, professor de surf no Rio de Janeiro há 13 anos, proprietário da Escola de Surf de Ipanema. Ou seja, para os pais que ficam na areia é permitido relaxar porque não há nada de radical ou arriscado nessas aulas. Sem contar que as crianças com até 6 anos não ultrapassam o rasinho do mar, sem o risco sequer de levar caldos.

Meninos ou meninas a partir dos 3 anos podem se iniciar no esporte, porém é desejável que saibam nadar ou que estejam aprendendo. Não precisam ter pranchas e, mesmo que tenham, acabam usando a do professor, mais apropriada para o aprendizado. “Até os 6 anos, o ritmo da aula é mais recreativo. Fazemos atividades para que a criança curta o esporte, sinta segurança na prancha e continue praticando o surf. Mas nessa faixa etária ainda é cedo para manobras”, explica Ari Lobo. O desafio inicial é treinar ficar em cima da onda no universo permitido aos pequenos: o rasinho, bem antes da arrebentação das ondas. Eles só aprenderão a remar, para ir um pouquinho mais fundo com o professor, a partir dos 8 anos.

Paulo Dolabella conta como é a rotina das aulas. Tudo começa na areia com o aquecimento e o alongamento, muitas vezes exercitados por meio de brincadeiras. “Depois treinamos movimentos específicos que ajudarão as crianças a ficarem em pé na prancha. Uma pausa para conversar sobre tudo que faremos naquela aula e onde vamos ficar. Só, então, entramos no mar”, completa Dolabella. Nessa programação, o corpo é bem exercitado. Além de divertida, a modalidade melhora a capacidade cardiorrespiratória, promove perda calórica e aprimora habilidades como a noção de lateralidade e o desenvolvimento da força muscular.

“Desde que começou a praticar o surf, há um ano, sinto que a Ju ficou mais ágil, a coordenação motora dela melhorou, principalmente o equilíbrio. Ela adora, fica orgulhosa do que consegue fazer e chega em casa superfeliz”, comenta Ana Paula Ribeiro, mãe de Juliana Ribeiro Serra, 7 anos.

Os primeiros termos que seu filho aprenderá na aula de surf

Arrebentação: Local no mar onde as ondas quebram. Chamado também de zona de impacto ou inside.
Boa formação: Característica da onda que tem boas condições para ser surfada.
Caldo: Cair da prancha e rodar junto com a onda embaixo d’água.
Dropar: Descer a onda.
Entubar: Passar dentro do tubo ou túnel da onda, formado antes dela estourar.
Marola: Ondas pequenas.
On shore: Vento que sopra do mar para a terra. O mesmo que maral.
Rabear: Entrar na onda de outro surfista que já tinha a preferência para pegá-la.
Strep: Corda feita de material elástico que une a prancha ao tornozelo do surfista. O mesmo que leash, estrepe, chop ou cordinha.
Tartaruga: Forma de atravessar a onda com a prancha.

Confira a matéria completa no site Crescer.

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