
Por: Brás Henrique
Fonte: Estadão.com
O Haiti ainda luta para superar o trauma do terremoto que matou cerca de 300 mil pessoas em janeiro de 2010. O país, o mais pobre das Américas, aguarda, inclusive, por eleições presidenciais. Mas tem grande dificuldade na reconstrução e a população sofre bastante com a falta de condições básicas para viver. Enquanto isso, um grupo de 11 adolescentes carentes, entre 14 e 15 anos, e um técnico chegaram a Ribeirão Preto para participar de um projeto de cooperação esportiva no clube Olé Brasil.
Gesner “Paul”" Junior, de 31 anos, e seus pupilos estão animados com os desafios dos próximos nove meses. Dois dos garotos são da capital Porto Príncipe, assim como Paul, que tenta esquecer a perda de um irmão mais velho e da antiga casa onde morava com a família. “É muito duro”", lamenta.
“Os garotos querem aprender com o futebol brasileiro”", comenta Paul, que é, além de treinador, o preparador físico e o tutor dos jovens compatriotas. Sem contar que, com o seu espanhol, aprendido nos tempos em que estudou em Cuba, é o intérprete dos garotos, que falam francês ou o crioulo (o idioma oficial do Haiti).
Ednel Clebert, de 15 anos, mora em Cabo Haitiano, no norte do país caribenho, é volante e sonha em ser jogador profissional. Tem o espanhol Xavi Hernandez, do Barcelona, como ídolo, de tanto ver jogos internacionais pela televisão.
Em seu país, o futebol é semi-profissional e é comum as transmissões de partidas dos campeonatos da Espanha, Itália, Inglaterra e França, e um pouco da Taça Libertadores da América. Clebert conhece pouco do Brasil: só a seleção brasileira, assim como a da Argentina.
Colega de Clebert, também volante, Ronaldo Jean-Marie, de 15 anos, é outro que sonha alto. Ele é de Porto Príncipe, mas sua família não sofreu com o terremoto, pois mora em uma região não atingida. O nome Ronaldo, obviamente, é uma homenagem do pai, James, técnico de futebol em escolinhas, ao Fenômeno, lembrado por lá com carinho devido ao amistoso entre Brasil e Haiti, realizado na capital Porto Príncipe em 2004.
Apesar disso, o jovem Ronaldo, por causa da influência televisiva, tem como ídolo o meia alemão Mesut Özil, do Real Madrid. Admirador de músicas de hip hop, ele é caçula de James (o sexto filho) e espera aprender mais sobre os costumes e tradições do Brasil, além do bom futebol.
Clebert e Ronaldo são dois dos 11 selecionados por Paul e Lucas Del Vecchio, ex-goleiro e um dos treinadores do Olé Brasil, clube que trabalha com jovens e tem como meta revelar talentos e negociá-los com grandes clubes. “Além do conhecimento cultural, nosso objetivo é trabalhar com esses garotos como se fossem nossos jogadores em campo, com cobrança, com treino forte”", avisa Del Vecchio.
No Olé, onde ficarão alojados, os haitianos terão alimentação, roupa lavada, transporte, aulas de português e assistência odontológica e médica nos próximos noves meses.
O projeto é uma cooperação técnica entre Olé Brasil e Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, e do Ministério da Juventude, dos Esportes e Civismo (MJSAC) do Haiti.
Essa não é a primeira experiência do Olé. No clube já passaram garotos sul-africanos e do Casaquistão (um grupo de 27 voltará pelo terceiro ano em março). Recentemente chegaram 21 chineses, que ficarão em Ribeirão Preto durante três anos seguidos.
9 meses, é o tempo que vai durar o intercâmbio dos jovens haitianos com idades entre 14 e 15 anos no Olé Brasil. Na cidade, também estão 21 chineses
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