Por: Gabriel Dudziak
Fonte: Olheiros
O ano mal começou para os países da América do Sul no campo futebolístico. A Libertadores ainda terá mais três meses de disputa, enquanto a Copa América só começa em julho. Eliminatórias só mais pra frente também… Mesmo assim o futebol do Equador já tem motivos de sobra para comemorar. Pela primeira vez em sua história o país participará dos Mundiais Sub-17 e Sub-20. O êxito foi confirmado na semana passada, quando a seleção equatoriana juvenil venceu a Argentina pelo Sul-Americano da categoria e garantiu uma das quatro vagas do continente.
Foi a primeira vez que uma seleção do Equador se classificou para o Mundial Sub-17. La Tri havia disputado o torneio em 1995, mas como país-sede, ou seja, sem ter que participar do torneio classificatório. Ganhar uma vaga de modo desportivo, então, nunca havia ocorrido. É bem verdade que o fato de jogar em casa, com o apoio da torcida e o know-how da altitude ajudou os garotos comandados por Javier Rodríguez. No entanto, seria leviano colocar apenas na conta dos fatores extra-campo o ótimo resultado obtido.
Se não foi brilhante – a bem da verdade nenhuma equipe foi -, o Equador foi uma seleção bastante pragmática e constante ao longo do torneio. Depois de conseguir a vitória na estreia por 4 a 2 ante a Bolívia, La Tri empatou com o Peru em 1 a 1 em um resultado pra lá de decepcionante. Contudo, a surpresa reservada para a quarta rodada do torneio, terceira dos equatorianos, foi bem maior do que a frustração de outrora: o Equador bateu o Uruguai por 1 a 0, no momento em que a Celeste vinha como a melhor e mais regular equipe da competição. Contra a Argentina, no entanto, não houve zebra e a derrota por 2 a 0 foi aceita sem grandes problemas. Afinal de contas, o Equador chegara ao Hexagonal Final como segundo colocado do grupo A, à frente do badalado Uruguai e com larga distância ante Bolívia e Peru.
No Hexagonal Final a concorrência era tremenda. Contra Brasil, Argentina, Paraguai – campeão do Sul-Americano Sub-15 de 2009 -, Uruguai e Colômbia, os equatorianos eram a aposta da maioria para terminar na última colocação, mesmo jogando em seus domínios. Nas duas primeiras rodadas os empates em 0 a 0 e 2 a 2 com Paraguai e Colômbia, respectivamente, chegaram a assustar boa parte dos torcedores. Afinal de contas, se não havia vencido os dois adversários, La Tri seria capaz de bater Argentina, Brasil e Uruguai?
Vencer os três grandes não foi possível, mas a derrota por 3 a 1 ante o Brasil acabou sendo a única da equipe na fase decisiva do Sul-Americano, já que o Equador venceu a Argentina por 2 a 1 e conseguiu na rodada seguinte, já classificado, empatar com o Uruguai por 1 a 1. O ótimo desempenho contra as equipes de maior tradição, aliás, foi um dos aspectos mais exaltados pelo técnico Javier Rodríguez. Segundo ele, os equatorianos já não têm mais medo de encarar as grandes camisas do continente, o que permitiu à sua equipe ter o ótimo desempenho observado na competição.
Méritos do técnico, que montou um grupo muito aguerrido e de forte jogo coletivo, e do talento individual de alguns atletas, como o atacante Luis Batioja e o meia José Cevallos. Ambos marcaram três gols na competição, respondendo por 60% dos dez gols marcados pela equipe em todo o Sul-Americano. A expectativa é de que os dois e boa parte do elenco quarto colocado no torneio e classificado no Sul-Americano Sub-20 sigam com sua curva de desempenho e possam, em breve, senão reforçar a seleção principal, ao menos fortalecer o futebol local, promovendo consequentemente um melhor nível da seleção.
Em 2002 o Equador chegou à sua primeira Copa do Mundo, ficando com a 8ª pior campanha do torneio. Em 2006 foi à Copa da Alemanha e ficou entre os 16 melhores. Em 2008 a LDU se tornou a primeira equipe do país a levantar o troféu da Taça Libertadores da América. Pode parecer pouco, mas para um futebol que antes disso era praticamente irrelevante, é um grande progresso, tudo em menos de dez anos. A chegada de duas seleções de base aos respectivos Mundiais de suas categorias comprova mais um importante passo dos equatorianos nesse sentido e a perspectiva de, quem sabe, um futuro ainda mais brilhante.
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