Tenista Christian Lindell defende a Suécia mas é brasileiro


Por Alexandre Cossenza / Globo.com

Loiro, pele bronzeada de praia e, como ele mesmo diz, “flamenguixxta”, com o chiado típico do carioquês bastante afiado. Quando entra em quadra, porém, o placar mostra: “Christian Lindell (SWE)”, com a sigla da Suécia em letras maiúsculas. Há dois anos, o jovem de dupla nacionalidade passou a defender o país europeu e, hoje, ganhando posições no ranking, rouba as atenções no Challenger de São Paulo, onde já derrubou dois dos melhores tenistas brasileiros.

Hoje com 18 anos, Lindell ainda se diz muito mais brasileiro – não domina o idioma do pai e passa apenas quatro meses por ano na Suécia -, mas explica que teve de tomar a decisão por causa das ótimas condições de treino que recebe no país que já formou tenistas do nível de Bjorn Borg, Stefan Edberg e Magnus Norman – sem falar em técnicos como Peter Lundgren, que levou Roger Federer a seu primeiro título de Grand Slam.

O “encontro” com o país dos avós paternos começou quase por acaso – e com direito a uma desvio providencial do destino. Aos 16, quando era um dos três melhores do Brasil, Lindell não foi convocado para defender o país no Sul-Americano para sua faixa etária. Meses depois, foi passar as férias na Suécia e se inscreveu em uma espécie de torneio nacional. Saiu de lá com o título e um convite para treinar com os novos compatriotas.

- Se eu fosse convocado (no Brasil), talvez não fosse para a Suécia, não tivesse essa oportunidade. Tenho muito mais vontade de jogar pelo Brasil, mas o apoio que eles (suecos) me deram foi muito bom. Se eu fecho a porta uma vez, ela nunca mais se abre – explica.
O apoio de que o adolescente fala é, de fato, um atrativo fora do comum. Além de ter um técnico à disposição para disputar torneios na Europa no primeiro semestre, Lindell usa centros de treinamento em mais de uma cidade sueca e bate-bola frequentemente com grandes ex-jogadores. Thomas Enqvist, capitão do país na Copa Davis, Magnus Norman, ex-número 2 do mundo, e Robin Soderling, atual quinto colocado no ranking, são alguns.

O Cabelo loiro e o nome “Lindell” enganam quem chega no clube Sociedade Harmonia de Tênis, sede do Challenger paulistano, mas cedo ou tarde é possível escutar nas arquibancadas frases do tipo “você sabia que ele é brasileiro?”. Quando para conversar, o adolescente não deixa dúvidas. Dois anos atrás, o carioca não entendia uma palavra de sueco. Hoje, já consegue se comunicar no idioma. Com os técnicos, porém, os diálogos são em inglês.

- Fica mais fácil de entender. Mas depende. Eu falo sueco, mas às vezes a pessoa não tem saco de repetir se eu não entender, então fala inglês. Para mim, eu falava muito bem, mas aí fui ver uma entrevista que eu dei… Eu falei certo, mas o sotaque… – disse, rindo de si mesmo ao lembrar do episódio.

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